quinta-feira, 22 de abril de 2010

Portugal há cem anos

As críticas ao regime monárquico, Rafael Bordalo Pinheiro




Revolução de 5 de Outubro de 1910
Rotunda da Avenida – Estandarte que acompanha os revolucionários

Fonte: António Ventura, Os postais da primeira república, Álbuns da República, Tinta da China

A obra da Primeira República foi julgada de formas diferentes. Para uns, foi um período totalmente negativo, que substituiu a autoridade pela demagogia, desorganizou o aparelho do Estado, tornando-o incapaz de resolver problemas reais, empobreceu o País, retardou o progresso económico, agravou a dependência semicolonial em relação à Inglaterra e se resumiu a uma irresponsável palradeira parlamentar entrecortada por páginas sangrentas. Para outros, foi uma época de agitação fecunda e criadora que fez a primeira experiência de governação democrática, interessou o povo no processo político, deu passos definitivos e inovadores na legislação da família e do ensino, defendeu os domínios ultramarinos da avidez das grandes potências pelo corajoso preço da entrada na Primeira Grande Guerra e permitiu a formação da mentalidade política civilizada e progressiva revelada pelos intelectuais da Seara Nova.
In História concisa de Portugal de José Hermano Saraiva.


Ser republicano, por 1890, 1900 ou 1910, queria dizer ser contra a Monarquia, contra a Igreja e os Jesuítas, contra a corrupção política e os partidos monárquicos, contra os grupos oligárquicos. Mas a favor de quê? As respostas mostravam-se vagas e variadas. […] a tendência geral era antes para se conceder à palavra “República” algo de carismático e místico, e para acreditar que bastava a sua proclamação para libertar o país de toda a injustiça e de todos os males.
In História de Portugal de A. H. Oliveira Marques, vol. III


Grupo de republicanos no Porto, em 1884


Emigrados do 31 de Janeiro de 1891 em Espanha

1 comentário: